"À Procura da Terra do Nunca" é um conto mágico inspirado na vida do escritor James Barrie, que deu vida ao célebre "Peter Pan", um dos maiores heróis das histórias infantis.
Um génio literário, Barrie aborrecia-se com os temas da época e buscava inspiração para uma nova peça. E inesperadamente encontrou-a onde menos esperava, quando se cruza com uma bela viúva e os seus quatro filhos, os Llewelyn Davis. Barrie torna-se amigo dos cinco e transforma-se no seu companheiro de histórias e aventuras, onde todos se transfiguram em cowboys e índios, piratas, reis e fadas. Os jovens Llewelyn Davis acabam por ser baptizados "Os Rapazes Perdidos da Terra do Nunca". Assim nasce "Peter Pan", a peça com que Barrie desafia todas as convenções, pondo actores a voar e a falar com pequenas fadas. Porque tudo isso é possível na Terra do Nunca. PUBLICO.PT
Instalou-se a confusão no último Festival de Veneza: demasiadas estrelas e débil organização para sustentar o frenesim. Por exemplo, no dia em que chegou Johnny Depp... Como se não bastasse a multidão de fãs à frente do hotel, uma suposta ameaça de bomba atrasou a estrela durante hora e meia, enquanto os mergulhadores da polícia italiana inspeccionavam os canais do Lido. Por esta altura já decorria a apresentação mundial de "Finding Neverland"/ "À Procura da Terra do Nunca", sobre o criador de "Peter Pan", J. M. Barrie. Eram 2h30 da madrugada. O horário inicialmente marcado para a sessão - 24h - já era suficientemente tarde para alguns, mas 2h30 da madrugada...
Banalíssima recriação biográfica
de J.M. Barrie no momento de
se tornar Peter Pan: sem chama
nem subtileza, maravilhado
com a sua possibilidade de maravilhoso
(cenários luxuriantes
e fantasiosos), "À Procura da
Terra do Nunca" tem (um desapontador)
Johnny Depp a picar
o ponto, exemplar de eficácia, envolto em fato de época e sotaque
escocês. Demasiado preocupado
em agradar, demasiado
"carregado" de temas pesados,
romanticizando-os - mitificação
da infância, orfandade, doença.
Trata-se de um "biopic" romântico, em que a génese de "Peter Pan" se encontra explicada e ilustrada por um episódio particular da vida do escritor, James M. Barrie. Boa reconstituição de época, com excelentes valores de produção, o fi lme começa por fraquejar a nível do "casting": nem Johnny Depp convence na pele do dramaturgo escocês, nem Kate Winslett funciona, para além do estereótipo, na sua frágil personagem. Restam uma boa prestação de Julie Christie e, sobretudo, um forte elenco infantil. Em geral, um filme simpático, mas vulnerável e com uma realização apenas gerindo os recursos.
Eis um filme ao qual a notoriedade só virá fazer mal. Já está na calha para os Óscares de 2005 (foi considerado o melhor filme do ano para o National Board of Review of Motion Pictures) e tem tudo, a partir daqui, para ser insuflado e promovido à oitava maravilha do mundo que não é de longe nem de perto. É, antes, um pequeno filme, sensato e minimamente sensível, inofensivo q.b., cuja menoridade se pode defender com algum gosto. Pelo menos enquanto não houver meio-mundo a gritar à obra-prima, altura em que seria preciso dizer a verdade pura e dura (ou seja, que posto na grande escala cósmica "À Procura da Terra do Nunca" não vale um caracol).
Se um dia quisesse fazer um filme não saberia que tema escolher, mas saberia que actor por em cena. Johnny Depp! A meu ver um dos melhores actores do momento (largo momento) - senão o melhor. Não falo deste especifico filme ou de outro qualquer. Não digo que ele merece o Óscar neste filme porque até não merece. Merece sim um Óscar pela sucessão de fantásticas interpertações dignas dos melhores. "Delírio em Las Vegas", "Piratas das Caraíbas", "A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça", enfim, tudo! Neste filme esplêndido, que me encheu o coração - e os olhos de lágrimas -, o retrato de Peter Pan é feito de outra perspectiva, e que perspectiva. Sem se tornar alienígena, o filme retrata a mente genial de...