Espanha, 1944. A Guerra Civil já terminou há cinco anos, mas um grupo de rebeldes continua a lutar, invencível, nas montanhas de Navarra.
O Capitão Vidal, um oficial fascista, tem ordens para eliminar os rebeldes nesse território remoto.
Ofélia, uma rapariga sonhadora de dez anos, muda-se com a mãe, grávida e frágil, para Navarra, para finalmente conhecer o padrasto, o Capitão Vidal. Mas ele não faz qualquer esforço para se aproximar da enteada.
Sozinha, Ofélia procura companhia e amizade em Mercedes, uma cozinheira que trabalha para as tropas do padrasto. Até que um dia, Ofélia, fascinada por contos de fadas, descobre um grandioso labirinto a desmoronar-se atrás da fábrica em que se instalara o padrasto. No centro do labirinto, conhece Pan, um velho brincalhão que diz conhecer a sua verdadeira identidade.
Segundo ele, Ofélia é uma princesa, filha desaparecida do Rei das Fadas. E Pan oferece-lhe a oportunidade de voltar ao mundo secreto e governar o reino de seu pai. Mas primeiro, deverá executar três tarefas antes da Lua cheia...
E ninguém pode saber, nem a mãe, nem Mercedes, e muito menos o Capitão Vidal, que planeia mandá-la embora. O tempo esgota-se para os rebeldes e para Ofélia. Todos têm de combater a crueldade para conseguirem a liberdade.
"O Labirinto do Fauno" foi um dos filmes mais nomeados aos Óscares, totalizando seis nomeações: Melhor Filme Estrangeiro, Argumento Original, Banda Sonora, Direcção Artística e Melhor Fotografia.PUBLICO.PT
Nada menos de seis nomeações para os Óscares, entre as quais o melhor filme estrangeiro e melhor argumento, depois de uma passagem pela selecção do Festival de Cannes de 2006 e de uma extraordinária recepção crítica nos EUA. Não é normal que um filme "de género", receba tantas provas de respeito por parte de uma classe crítica habitualmente alheia ao cinema fantástico.
Caberia aqui recordar um filme chamado "O Espírito da Colmeia" (1973), de Victor Erice - as nuvens
negras do franquismo, a infância, o fantástico. Será preciso tanto? "O Labirinto do Fauno" é grau zero de
visionarismo (como a palavra é deslocada...), é ilustração. E cabe aqui também colocar todas as
dúvidas e mais algumas à tão falada, em tempo de Óscares, aventura dos mexicanos na América (e eles são Guillermo del Toro, Alejandro González-Iñarritu ou Alfonso Cuarón).
Este filme é um labirinto de imagens belas, é um constante contemplar do imaginário humano, é um deambular no universo de um conto de fadas para adultos...como transparece beleza, como aquele verde nos leva às profundezas das florestas encantadas onde, na imensidão dos ódios, andam à solta homens maus...<BR/>Poderia contar-se uma breve história acerca deste quadro fantasmagoricamente belo... onde, de uma forma semelhante ao que tinha sentido naquela obra-prima de “A cidade das crianças perdidas” fui catapultada para o mundo de onde todos nós gostaríamos de ter permanecido mais horas para onde, quando o presente assola o nosso pensar, temos vontade de voltar a entrar...<BR/>Tantas...