Um diamante rosa raro pode mudar ou destruir a vida de dois africanos: Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário do Zimbabué, e Solomon Vandy (Djimon Hounsou), um pescador da tribo mende. Com a Guerra Civil nos anos 90 na Serra Leoa em pano de fundo, Solomon sabe que esse diamante pode não só permitir a libertação da mulher e das filhas, condenadas a viver como refugiadas, mas também salvar o filho de um destino pior: o de criança-soldado. Mas Solomon sabe também que esse diamente pode ditar a sua morte. Archer, que ganha a vida a trocar diamantes por armas, ouve falar no diamante e imediatamente percebe que o seu valor é suficiente para o salvar, afastando-o de África e do círculo de violência e corrupção que o engoliu. É então que aparece Maddy Bowen (Jennifer Connelly), uma jornalista americana, cheia de ideais, que vai para a Serra Leoa tentar descobrir a verdade por trás das guerras, os diamantes e aqueles que lucram com toda a situação. Maddy procura Archer como fonte para o seu artigo, mas rapidamente percebe que ele precisa tanto dela como ela dele. Com a ajuda de Maddy, Archer e Solomon iniciam uma perigosa viagem pelo território dos rebeldes. Archer precisa que Solomon descubra e recupere o valioso diamante rosa, mas Solomon anda à procura de algo mais precioso: o seu filho. Realizado por Edward Zwick, a fotografia de "Diamante de Sangue" é assinada pelo português Eduardo Serra.PUBLICO.PT
Edward Zwick tem dois pontos altos dignos de registo na sua já longa carreira: criou a excelente série televisiva "Os Trintões" e assinou o magnífico "Tempo de Glória" (1989), crónica do primeiro batalhão negro do exército americano na Guerra Civil que valeu a Denzel Washington o seu primeiro Óscar (por melhor actor secundário). Daí para a frente, tem assinado filmes quase sempre interessantes que procuram conjugar a interrogação sincera sobre o estado das coisas com o entretenimento de massas; às vezes falha ("Lendas de Paixão", "O Último Samurai"), às vezes acerta ("Coragem Debaixo de Fogo", "Estado de Sítio"), mas sem nunca conseguir evitar aquela sensação de ser um daqueles cineastas liberais com o coração no sítio certo mas mais boa consciência do que jeito. O que torna "Diamante de Sangue" numa grandíssima surpresa: no papel, é uma fita de acção com consciência, ambientada na Serra Leoa em 1999, no pico da guerra civil que destruiu o país, ficcionando o percurso dos diamantes "sujos" minados ilegalmente em zonas de guerra, o que quer dizer que ou a) é um mau filme de acção subjacente ao panfleto humanista ou b) é um exercício maniqueísta de boa consciência liberal. A história, ainda por cima, promete pouco: um pescador (Djimon Hounsou) arrancado à sua aldeia natal para ir para as minas controladas pelos rebeldes consegue escapar deixando escondido atrás de si um enorme diamante rosa que pode ser a salvação da sua família, cruzando-se com um mercenário sul-africano (Leonardo di Caprio) que quer a jóia por razões bem menos escrupulosas e uma jornalista americana (Jennifer Connelly) investigando a rota dos diamantes "sujos".
Se de Leonardo Dicaprio já muito se falou, a grande revelação deste filme é de facto o actor negro, Djimon Honson. A força de sua interpretação, o sentimento que põe em muitos dos momentos do filme, em especial na cena da prisão e do confronto com o homem que perverteu o seu filho, fazem com que só por si, valha a pena assistir ao filme. Filme duro, em especial porque somos confrontados com algo a que não estamos habituados a ver, a uma realidade de que não se fala, a das crianças soldados.