1984, Alemanha de Leste. Cinco antes antes da Glasnot e da queda do Muro, a população é mantida debaixo de controlo pela Stasi, polícia secreta alemã. A missão da Stasi é apenas uma: saber tudo sobre a vida de todas as pessoas, através de uma vasta cadeia de informadores/denunciadores. O filme acompanha a gradual desilusão do Capitão Gerd Wiesler, um oficial altamente credenciado da Stasi, cuja missão é espiar um famoso escritor, George Dreyman, e a sua esposa, a actriz Christa-Maria Sieland. Segundo o realizador, Florian Henckel von Donnersmarck, no filme "cada personagem coloca questões com as quais nos confrontamos todos os dias: como é que lidamos com o poder e com as ideologias? Seguimos os nossos princípios ou os nossos sentimentos? Mais do que qualquer outra coisa, é um drama sobre a capacidade dos seres humanos fazerem o que está certo, não interessa até onde foram no caminho errado". Nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, "As Vidas dos Outros", conquistou três Prémios do Cinema Europeu: Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Argumento e o Prémio do Público nos festivais de Locarno e Vancouver.PUBLICO.PT
Um dos candidatos ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, a estreia na realização do alemão Florian Henckel von Donnersmarck aparenta ser uma evocação critica do socialismo Orwelliano da
Alemanha de Leste mas transformase na história do acordar de uma consciência: a de um brutalmente
eficaz agente da polícia política encarregue de vigiar um dramaturgo fiel ao regime em busca de algo que o comprometa, apenas porque o ministro da cultura tem desígnios lascivos sobre a sua namorada actriz.
Depois da projecção internacional do filme de arte, devida a nomes como Rainer Werner Fassbinder, Wim Wenders ou Werner Herzog, o cinema alemão sobrevive, hoje, graças ao prestígio ocasional de filmes sobre a sua História recente, de que avultam as "biografias" dos últimos dias de Hitler ou dos seus oponentes, Hans e Sophie Scholl, resistentes à barbárie nazi. Com efeito, tal intervenção sobre o tecido histórico permite a construção de produtos de qualidade industrial média, capaz de reinventar a fórmula do "docudrama", que se liga, aliás, com a obra "menor" de outro dos grandes nomes do cinema alemão das décadas de 60 e 70, Volker Schlöndorff, cujo "A Honra Perdida de Katharina Blum" (1975), adaptado do nobelizado Heinrich Böll, funciona ainda como matriz incontornável.