Estúdios: Plymouth Projects EUA, 2004, Cores, 96 min.
argumento
Bobby e Jonathan tornam-se inseparáveis mal se conhecem. Os dois equilibram-se. Enquanto Jonathan começa a ver o mundo com outros olhos através de Bobby, para Bobby Jonathan e a sua família representam uma estabilidade que ele nunca conheceu. E quando se voltam a encontrar em Nova Iorque, juntamente com Claire, inventam um novo conceito de família.
O filme é baseado no livro de Michael Cunningham (autor de "As Horas"), que também fez a adaptação do argumento. PUBLICO.PT
História da invenção de uma família por um trio pouco ortodoxo, deixando em fundo uma crónica geracional sobre o caminho entre os anos 60 e os anos 80 - é demasiado para este filme. Numa estrutura episódica vão desaparecendo quer a história quer as per-sonagens, numa moleza que desintegra as possibilidades do "melodrama familiar". Depois, a candura da personagem de Colin Farrell, que atravessa o filme como émulo "hippy" de Forrest Gump, é bastante difícil de aceitar.
Depois do sucesso de estima de "As Horas", mais um romance de Michael Cunningham chega ao grande ecrã, sem a mesma fi rmeza de ponto de vista, mas com alguns apontamentos inte-ressantes para a defi nição das atmosferas rarefeitas da fi cção de Cunningham: mais uma história de amores cruzados e impossí-veis, de coloridos "best friends", com a homossexualidade no centro e o excesso quase crístico da personagem de Bobby (três actores, para três idades, com destaque para a incompreensão da personagem por parte da estrela maior, Colin Farrell), a de-sequilibrar a fi cção. A realização de Michael Mayer (encenador da Broadway) é segura, mas teatral, sem grandes ideias de cinema. O melhor do fi lme é o modo como se capta uma certa ideia da Amé-rica do passado recente e duas in-terpretações superlativas de duas grandes actrizes: Sissy Spacek e Robin Wright Penn.
Adaptação de uma obra de Michael Cunningham - que, não tendo o impacto mediático de "As Horas", é um livro amado pelos fãs do escritor -, "Uma Casa no Fim do Mundo" conta a história de dois rapazes, inseparáveis, e de uma rapariga que reinventam, a três, o conceito de família. A sedução desta aventura íntima parecia inabalável, mas aquilo a que se chama "filme" é um desastre. Um "cast" de prestígio revela-se um desacerto completo - Colin Farrell, e os tiques da eterna dor adolescente, é um sub-James Dean com peruca errada (sim, os adereços também estragam); Sissy Spacek em fundo não adian-ta. Não há projecto de filme, mas cenas de articulação errática, como se aquilo que vemos fosse sempre uma desajeitada e sempre em perda hipótese de "corte e cola" - a "adaptação".
a crítica dos nossos
leitores
14-06-2005
Gonçalo Sá - http://gonn1000.blogspot.com, http://cine7.blogspot.com
Depois do popular "As Horas", surge agora mais um filme inspirado numa obra literária de Michael Cunningham, "Uma Casa no Fim do Mundo" ("A Home at the End of the World"). O livro não é tão mediático como aquele que deu origem à elogiada película interpretada por Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, mas é, não obstante, um título interessante e absorvente. Desta vez, o responsável pela adaptação ao grande ecrã não é Stephen Daldry mas o estreante Michael Mayer, encenador da Broadway que assim assinala a sua entrada em domínios cinematográficos. Infelizmente, não se pode dizer que este primeiro filme de Mayer seja particularmente bem-sucedido, uma vez que a transposição de uma obra literária...