Estúdios: Universal International Pictures, Working Title Films GB, 2005, Cores, 129 min.
argumento
Silvia Broome (Nicole Kidman) é uma intérprete da ONU que, inadvertidamente, ouve uma ameaça de morte a um chefe de Estado ao mais alto nível da organização. A ameaça é enunciada num raro dialecto que apenas ela e um muito restrito grupo de pessoas conseguem compreender. A vida de Silvia sofre então uma reviravolta dramática e, apercebendo-se que agora também ela se tornou um alvo a abater, tenta a todo o custo desmascarar a trama. Colocada sob a protecção do agente federal Tobin Keller (Sean Penn) o mundo de Silvia torna-se um pesadelo. Keller vai escavar fundo no passado da sua testemunha e no seu mundo secreto de ligações globais, o que o leva a uma suspeita crescente do envolvimento da própria nesta conspiração. Embora possam apenas contar um com o outro, as diferenças entre Silvia e Keller não poderiam ser maiores. A força de Silvia está nas palavras, na diplomacia, na subtileza. Keller é todo ele instinto, acção e percepção imediata dos comportamentos humanos mais primários. Será Silvia uma vítima ou uma suspeita? E poderá Keller garantir a sua segurança?
PUBLICO.PT
Embora tenha começado a sua carreira na TV, Sidney Pollack ganhou notoriedade com o seu segundo filme, "A Flor à Beira do Pântano" (1966), com Natalie Wood e Robert Redford, para continuar a coleccionar sucessos, sobretudo com veículos para o carisma de Redford, a grande estrela masculina da década de 70: "As Brancas Montanhas da Morte" (1972); "O Nosso Amor de Ontem" (1973); "Os Três Dias do Condor" (1975); "O Cow-Boy Eléctrico" (1979); "África Minha" (1985) e "Havana" (1990).
Sydney Pollack tem dias, e o de "A Intérprete" não foi um deles. Por causa de "Random Hearts" (e do seu Harrison Ford em luto selvagem) até vinha em alta. Mas "A Intérprete" limita-se a tentar apanhar um pouco do estilo das ficções "liberais" dos anos 70, com mais pose e enfeites do que outra coisa. A publicidade matraqueianos: pela primeira vez houve autorização para rodar no edifício das Nações Unidas. Mas digam lá se, para além de uma caução realista que ninguém pediu, esse facto tem alguma relevância dentro do filme? O desperdício estende-se à ideia da Babel, desaproveitada para além de dois "gags" com um "exótico" português. Mergulhado na indistinção, Pollack não tem socorro nem na protagonista, uma Nicole Kidman incapaz de ultrapassar o lado estereotipado da personagem.
Gosto de actores versáteis e a Nicole e o Sean já o demonstraram várias vezes. Desta feita estão fantásticos - se os viermos em separado, porque o Sean está muito além da Nicole. Está brilhante como sempre - é daqueles que brilham com luz própria. De qualquer modo, o filme é empolgante e deixa a descoberto coisas de que sempre se fala mas nunca se remedieia. Vale a pena ser visto. Vale a pena ponderar no assunto.