Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith Título original: Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith De:George Lucas Com:Ewan McGregor, Hayden Christensen, Natalie Portman Género: Acção, Aventura, Ficção Científica Classificacao: M/6
Estúdios: 20th Century Fox EUA, 2005, Cores, 146 min.
argumento
É o último tomo da saga de George Lucas, o episódio em que finalmente todos os fãs da série da Guerra das Estrelas saberão porque cedeu Anakin Skywalker ao lado obscuro da Força e se tornou Darth Vader. Neste episódio III, Anakin, o jovem cavaleiro Jedi, cede à tentação e alia-se ao maléfico Darth Sidious, depois de promessas de um poder sem fim. Os Sith unem-se então com o objectivo de exterminar todos os Jedi. Apenas os mestres Yoda e Obi Wan sobrevivem e vão tentar travar os Sith. No final, Anakin, agora Darth Vader, e Obi Wan, o seu mestre, vão confrontar-se num combate que decidirá o destino da Galáxia. PUBLICO.PT
O melhor é o final: a cena do "fabrico" de Darth Vader, invulgarmente seca para o que é norma na série, onde há lugar para dois planos bons com a "máscara" (e um deles, o plano subjectivo, se não é citação do "Homem da Máscara de Ferro" de James Whale parece), montada em paralelo com o funeral de Padme, este em estilo de cinema "barroco". São cinco ou seis minutos que parecem dizer que em Lucas ainda persiste um nervo de cineasta. Pena que para lá se chegar se tenham que atravessar duas horas. É menos irritante do que os precedentes (pelo menos os robôs aparecem pouco, em compensação há muito Yoda), mas a narrativa (e a narração) é de uma monotonia de fazer bocejar o mais paciente.
Quando apareceu "A Guerra das Estrelas", em 1977, tudo mudou em termos de efeitos especiais ou de configuração mítica para a chamada ficção científica. O filme de Lucas, que arrasava todas as tabelas de campeões de bilheteira, triunfava porque inventava um novo conceito gráfico (até para o genérico), mas também porque revisitava todos os géneros, do musical ao melodrama, criando, em simultâneo, um género próprio para eternos adolescentes amantes da aventura. Mas a fórmula nunca resultou depois: "O Império Contra Ataca" (1980), não possuía a mesma fluência narrativa ou idêntico estado de graça; "O Regresso de Jedi" (1983) exagerava na proliferação de monstros e de criaturas bizarras.
É o mais curioso de "A Vingança dos Sith": como o pretenso "state of the art" em termos de sofisticação tecnológica não chega para dissipar um certo anacronismo (na montagem, que mais parece feita de enxertos do que de "raccords) e um artificialismo tosco e involuntário (na falta de talento de Lucas para as cenas mais intimistas, no facto de, às vezes, o ''décor'' se dar a ver demasiado como adereço de estúdio). E depois, há Ewan McGregor, saudável cabotino, e o único que não parece levar a sério o empreendimento, como se metesse uma distância entre si e a personagem. Talvez não chegue para redimir a má memória dos anteriores dois episódios, enjeitados e digressivos, mas é menos confrangedor.
A parte final é, de facto, intensa; o contacto com a escuridão como nunca antes na saga de "Star Wars" (também há coisas dignas de um Ed Wood Jr. apesar da tecnologia: por exemplo, todas as cenas da vida conjugal de Hayden Christensen, Natalie Portman...) Mas agora que o fim chegou, mais distante, e sim, numa galáxia mesmo distante, fica definitivamente a primeira (em termos de cronologia da narrativa, a segunda) trilogia. Nunca mais se repetiu o sortilégio, como se nunca tivesse sido possível estabelecer ligação (a não ser por um ritual do espectador, que na verdade foi mais pacto racional do que emotivo) entre a tecnologia digital que alimentou os últimos três filmes e o mundo artesanal, encantatório, da saga iniciada nos anos 70. Ainda assim, há por aqui, em alguns diálogos e situações, uma (auto)ironia e uma distância (quase que se diria "brechtiana") - mesmo que alguns deles invo-luntariamente desastrados - que faz "A Vingança dos Sith" tocar ao de leve no desopilante espírito inicial.
Muito se tem falado de "Star Wars" ultimamente. Muitas críticas (construtivas e destrutivas) foram elaboradas com intenção de opinar acerca deste conjunto de filmes, uma dupla trilogia sem precedentes, que só é ultrapassada, em imaginação, pelo trilogia "Matrix". George Lucas não desiludiu com este último filme, o Filme com letra maiuscula, pois sobre ele jaziam todas as expectativas de ligação com o toda a restante saga. Lucas sabia que, se este filme fracassasse, iria pôr em dúvida todo um trabalho de décadas - e muito provavelmente, o trabalho da sua vida. Mas as expectativas concretizaram-se e o filme não desilude os fãs.<BR/><BR/>Acredito que quem afirma que o filme é aborrecido...